A região do Parque do Conduru, e do seu entorno, tem um histórico de ocupação dos mais antigos do Brasil que remonta à época das capitanias hereditárias – no início do processo de colonização do país. Ao longo dos séculos, a região passou por vários ciclos econômicos iniciando com o extrativismo de madeiras nobres, a cana de açúcar, o cacau, a pecuária, a atividade madeireira e, mais recentemente, o turismo.

Serra do TelégrafoApesar do antigo processo de ocupação, a região do PESC e de seu entorno imediato, devido às características de baixa fertilidade do solo, de revelo bastante acidentado, e à falta de infra-estrutura de acesso (estradas de rodagem em boas condições), não sofreram grande pressão de uso e ocupação, o que favoreceu a conservação das florestas desta região. A pressão maior sobre as florestas vieram a partir do declínio da lavoura cacaueira, que forçou a expansão da pecuária e da exploração madeireira.

Em função dos altos índices de riqueza de espécies, das altas taxas de endemismo e da pressão da atividade madeireira, que começou a se intensificar a partir do início de 1990, especialistas apontaram a região como de prioridade máxima para a conservação. Este fato foi muito importante e ajudou a subsidiar a proposta da criação do Parque Estadual da Serra do Conduru.

A principal peculiaridade da região é, sem dúvida, sua altíssima riqueza de espécies. Dentre as áreas de ocorrência de Floresta Ombrófila Densa Submontana em todo o território nacional, a área do PESC abriga a maior riqueza de espécies já registrada até o momento.

Do ponto de vista social, a região apresenta uma realidade que se constitui numa ameaça à conservação. Nas áreas do entorno do PESC vivem algumas centenas de famílias de agricultores tradicionais, distribuídas em algumas dezenas de comunidades rurais, dentre elas comunidades quilombolas, assentamentos rurais e posseiros. Estes agricultores são, em sua maioria, analfabetos ou de pouca escolaridade, não possuem os títulos das propriedades, não contam com orientação técnica para produzir, praticamente não possuem recursos para investir na produção agrícola. A sobrevivência destas famílias vem através da agricultura de subsistência – baseada no corte e queima da floresta – da extração de madeira e da caça que, muitas vezes, também acontece no interior do Parque.

Para contrapor esta realidade no meio rural, o crescimento da atividade turística na região, que se intensificou em 1998 a partir da construção da Rodovia BA-001 Ilhéus/Itacaré, tem se apresentado como um potencial vetor para a conservação, uma vez que a atividade turística depende da qualidade dos espaços naturais e das paisagens para atrair os turistas. Para isso, alguns esforços institucionais estão sendo realizados na região com o intuito de integrar as comunidades rurais à cadeia produtiva do turismo, buscando transformar os agricultores em protagonistas da conservação ambiental.

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